segunda-feira, 21 de setembro de 2015

A minha estação preferida


Namoraram durante todo o Verão, e agora as folhas tomaram finalmente do sol, a sua ambicionada cor, e cumprem o sonho de voar deixando-se ir com o vento e passando resvés à minha janela.
Vejo-as nas tardes que suavemente se deixam apagar mais cedo e que pedem a bênção de uma manta para nos oferecerem serões longos de suaves e doces silêncios de onde a alma emerge.
O Outono devolve-me a mim…
E devolve-me às palavras que nascem do conforto da minha vontade para tecerem e darem corpo às histórias inventadas com a ousada cumplicidade rubra das romãs e o doce dos diospiros e das gamboas despidas, cozidas e vestidas de açúcar.
Mais tarde virão as castanhas e as bolotas que assaremos nas lareiras acendidas para o Natal.
E por entre os beijos partilharemos as castanhas quentes e salgadas num misto perfeito de terra e Atlântico; será ali para as bandas do Rossio.   

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