quinta-feira, 10 de setembro de 2015

MÃE


Recortamos os dias à nossa medida e dispensando figurinos ou modelos, pois bem maior é o sonho que nos move, e a liberdade.
Com as linhas dessa nossa cor alinhavamos primeiro, e depois com toda a sensatez, reforçamos o ponto, tornando quase indestrutível essa vida costurada a dois... e a quatro.
Fazemos dobras e bainhas no tempo para guardarmos coisas só nossas, como segredos; bainhas e tempo que descemos e subimos consoante o tamanho da nossa vontade.
Somos nós que com agulhas e dedais, e às vezes picando os dedos, caseamos lares de botões (de todas as flores) à janela. Somos nós que fazemos a casa mais perfeita.
E quando às vezes o destino nos rasga os dias, cerzimos tudo com arte, paciência e infinito afinco... como o ferro que apaga o amarrotado efeito das adversidades.
Mãe, entre o tempo em que me pegavas ao colo para que eu cavalgasse para o sono enquanto costuravas na nossa velha Singer, e este tempo em que segues no banco traseiro do meu carro e eu te vejo a bocejar e me meto contigo:
- Mater atómica já estás a dormir...
Estão os dias mais perfeitos do universo e todos os meus dias; os dias que fomos costurando juntos e com gosto a liberdade.

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