quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Uma alma imensa guardada num castelo de querer de granito



Há almas imensas guardadas em corpos valentes de guerreiros como tesouros em castelos, os heróis completos que não assumem o impossível, aqueles que pela sua enorme fé e de encontro aos seus sonhos jamais soletram qualquer tempo do verbo desistir.
Reencontrámo-nos por um agradável acaso em Budapeste no verão de 1996, e a seu pedido tirámos uma foto na parte velha de Buda. Como sempre tratou-nos por “meus rapazes”, a mim e ao João Paulo, com toda a legitimidade de quem um dia nos ajudou a crescer.
O tempo passara desde os verões quentes dos anos setenta no Alentejo, o muro caíra, a cortina de ferro acabara rasgada, e estando ali os três ironicamente a leste, senti-lhe a voz mais calma do que antes no púlpito quando “gritava” as palavras escritas para a homilia com uma componente guerreira na forma de viver a fé “em tempos adversos”.
Com a perseverança de um fio de água que sabe ser capaz de derrotar até a pedra mais dura.
Ficou comigo esta imagem de guerreiro, simultaneamente com a expressão doce do olhar quando um dia me confidenciou:
- Não ganhas nada em falar de Cristo se não fores a cara Dele, e se não tiveres cara de ressuscitado.
Em Budapeste tinham passado já mais de duas décadas sobre estes dias de Vila Viçosa em que o Padre José Luís foi nosso pároco, e há muito que os três tínhamos deixado Vila Viçosa.
O Padre José Luís partiu para o Céu no passado dia 17 de Agosto.
Persiste em mim o seu abraço, o eco bom dos “meus rapazes”, e renovo o compromisso de ter cara de ressuscitado; por Cristo, pela minha fé, e agora também por ele, da forma de quem nunca deixamos morrer.

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