terça-feira, 24 de novembro de 2015

O Outono assa castanhas na Rua Augusta


O Outono assa castanhas na Rua Augusta, e o fruto descascado e fumegante, ainda aceso pelo rigor da lenha, é um beijo que te ofereço de mão para mão; um beijo doce mas com um intensíssimo sabor a sal.
Pensará mais tarde a chuva já fria de quase Dezembro, que é por mérito seu que nos abrigarmos, que caminhamos os dois num forte abraço…
Puro engano.
Estivesse ela atenta às palavras que trocámos sob o tecto informal das nuvens e do voo das gaivotas, e saberia que esta forma de andar assim, é uma casa que desenhámos cumprindo os preceitos da nossa vontade; uma casa grande, cómoda e com mil janelas com vista para o mar e um jardim, uma casa cuja fachada tem o tom de muitos versos e as salas são aquecidas por lareiras de um imenso amor.
Nós, uma casa de onde às vezes saímos mas apenas por brevíssimos segundos, e para nada mais do que comprar castanhas.
No Outono.
  

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