quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Os dias aparentemente tristes


Pode parecer argumento de anúncio (“I can see clear now…”), mas uma caneca de café de cevada acabado de fazer é o melhor antídoto para as manhãs de chuva intensa, aquelas em que o vento que empurra a água contra a vidraça parece de caminho empurrar-nos a nós para o recato do edredão, um movimento contrariado eficazmente pelo relógio despertador.
Depois do duche coloco Amina Alaoui na aparelhagem, um apelo aos sons do sul e do mediterrâneo…
Um arco-íris precisa-se, e um quase desespero a chamar pelo sol.
Mas nada, a transparência da janela que habitualmente me dá o mar morreu às mãos das nuvens densas e acinzentadas, e hoje benefício de um espelho gigante que me reflecte assim com um ar meio ensonado.
O mar, se o persigo, só o encontro hoje dentro de mim no tom azul da festa de navegar contigo.
E eu guardo em mim todos os mares.
Bebo mais um gole de café, Amina continua pelo canto em tom de pranto que nós sabemos que o não é, são desabafos da alma para os generosos horizontes do sul…
Há dias aparentemente tristes mas que são “boleias” únicas para fugirmos do óbvio e descobrirmos os segredos que guardamos.

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