domingo, 1 de novembro de 2015

Rasgámos a terra…



Rasgámos a terra rogando-lhe a pedra que preservará a memória dos nomes em letras desenhadas pelo cinzel...
E os nossos passos dolentes e enfeitados por sinais da cruz e Padres-nossos, exibem uma rota informal pela história que carregamos, nós entre os santos de tantos dias.
Que os santos não são produzidos por decreto, tal como os anjos nunca têm asas.
Os sinos repicam, os crisântemos são brancos da cor da paz que se antecipa do céu, e as lágrimas de saudade são detalhes nossos em estado líquido que escondemos do mundo disfarçando-os nas Ave Marias rezadas aos pés da Senhora da Conceição.
Vila Viçosa, o Castelo, uma tarde de nevoeiro e chuva, Florbela Espanca, os ciprestes, uma amiga que me fala de Virgílio Ferreira e da Aparição, tanta gente...
Um passeio entre os meus mortos?
Não.
Um passeio entre quem nunca deixarei morrer sob a terra rasgada que tomou com ela as mãos dessa gente que nos encheu de carícias. 

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