terça-feira, 3 de novembro de 2015

O teu olhar ergue esquinas no chão dos domingos...



O teu olhar ergue esquinas no chão dos domingos, vértices de praças muito largas que desenhas só para mim, sombras generosas que me abrigam e onde me sento a tecer palavras semelhantes a flores de papel de todas as cores.
Num banco de pedra escavado como quem desce em direcção ao rio…
Palavras debruadas com o mel dos sentidos, que voam de mim para o mundo imitando as gaivotas que não se cansam nunca de beijar as fontes que fizeste borbotar por sobre as calçadas de pedra a preto e branco.
Às vezes solta-se uma imortal canção do Fausto, desfilam memórias de tempos antigos, citamos Herman Hesse, escolhemos uma camisola para o inverno; uma Bola de Berlim em tamanho gigante reduz o chá de cidreira a um discreto e saudável pretexto.
E damos um beijo, em segredo, sem fazer qualquer alarde.
O teu olhar ergue esquinas que são vértices da minha casa perfeita: o domingo à tarde. 

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