segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Talvez tão só no mar que espreita à minha janela de Outono enquanto se espreguiça a madrugada



A liberdade será sempre muito mais que uma Lady de bronze na ilha a duas braçadas de Manhattan; tem os aromas da savana no voo picado de Redford e Street, a beleza de Tadzio nas praias do Lido na Veneza de Mann e Visconti, o grito de "captain" no clube dos poetas, vivos ou mortos; tem o rodopiar da jovem bailarina entre o pó e a farinha no armazém de uma padaria de Chicago.
Era uma vez... na América, em África, em qualquer lado.
A liberdade.
Minha, tal qual a certeza de que aprendi a beijar com Mastroianni nas águas da Dolce Vita, na Fontana de Trevi.
E tomei na vida o toque de dança de um Cabaret nas cercanias da Unter der Linder, a gargalhada de Amadeus, a insolência das palavras de Maura ou outra "Chica  Almodovar", o eco das palmas do West End…
A liberdade.
Eu e tu como Adriano e Antinoo nas memórias de Yourcenar ou num muito Queirosiano abraço que veste Lisboa ao fim da tarde.
A liberdade…
Talvez tão só no mar que espreita à minha janela de Outono enquanto se espreguiça a madrugada.

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